O invento, criado pelo engenheiro civil Luiz Gonzaga do Vale, utiliza apenas telhas canal e concreto armado
Da Redação
Quem constrói uma casa sabe que um dos itens mais caros da obra é o telhado, principalmente quando o que está em questão é o madeiramento. Se for madeira de primeira, o preço duplica. Uma solução inovadora, no entanto, patenteada pelo engenheiro maranhense Luíz Gonzaga do Vale, promete reduzir esses custos em quase 50%.
Batizado de 'Cobertura de Edificações com Telha Cerâmica sem Madeiramento', o projeto prevê uma cobertura ecologicamente correta, substituindo a madeira por vigas estruturais. Montadas no chão, as vigas utilizam as próprias telhas, ferro, cimento, areia e brita e podem ter até 3,5 metros de comprimento para ser usadas em vãos livres de até 3 metros, o restante forma o beiral. Em vãos maiores, elas podem ser emendadas, sendo necessária, apenas, a construção de paredes ou vigas de concreto armado para apoiá-las nas extremidades.
Depois de prontas, as vigas estruturais são armadas sobre as paredes da casa, com espaçamento de 20 centímetros uma da outra. A ferragem exposta é amarrada com arame recozido, esperando somente a argamassa e as telhas para finalizar a cumeeira. Nos vãos entre as vigas são colocadas telhas soltas enfileiradas. De acordo com o inventor, o telhado suporta até 100 uilos por metro quadrado.
Há dois anos, quando da elaboração do projeto para apresentação aos órgãos e instituições de patentes, o telhado de uma casa popular de 49 metros quadrados não saia por menos de R$ 3.514,20, incluindo todo o madeiramento e custos operacionais – o metro quadrado era R$ 71,72. Com a utilização das vigas estruturais de Luíz Gonzaga do Vale, o valor cai para 1.280,00, indo para R$ 1.818,00 ao ser acrescido o preço da consultoria do inventor – o metro quadrado diminui para R$ 37,10. A economia é de 48%.
“Além de dispensar 100% o uso da madeira na construção, esse tipo de cobertura traz: maior segurança e estabilidade; mais resistência às ações de chuva e calor; maior segurança contra incêndio e arrombamento, em virtude do material utilizado, posicionamento das vigas e do espaçamento entre elas; e facilidade na construção, haja vista que, após a construção das vigas, o pedreiro e seu ajudante montam um telhado de uma casa popular, que tem 49m², em menos de três horas”, destaca Luíz Gonzaga do Vale.
Consultoria
O inventor revela que não quer abrir uma empresa para construir a cobertura sem madeiramento. Ele prefere repassar a metodologia, vendendo sua consultoria a R$ 5 por metro quadrado de telhado construído. “Se eu abrir uma empresa, os custos para o consumidor final serão mais elevados, pois terei que repassar para o produto todos os encargos que tenho para manter essa empresa funcionando. Prefiro repassar a metodologia para o pedreiro contratado pelo cliente”, comenta o inventor.
Para livrar-se do perigo de registro da idéia por terceiros, inclusive pessoas de outros países, o Projeto de Cobertura de Edificações com Telha Cerâmica sem Madeiramento foi patenteado no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Maranhão (CRE/MA), no Conselho Federal (Confea) e no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Agora, depois de cinco anos da concepção do invento, com esforços redobrados há um ano, o projeto saiu do laboratório e fez muito sucesso no Seminário de Inovação tecnológica.
“Estou há quase cinco anos construindo a minha casa. Hoje, falta pouco, como a parte da cobertura do terraço.Tenho um orçamento de R$ 4.020,00 para o telhado. Se esse projeto que tive a oportunidade de conhecer aqui na feira, reduzir os custos da obra pela metade, vou obter uma grande economia e poderei investir o dinheiro que iria gastar em outro ponto da construção”, coloca a funcionária pública Lívia Ribeiro.
A novidade foi uma das atrações do Seminário de Inovação Tecnológica, realizado pelo Sebrae/MA e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Maranhão (Fapema), como um dos eventos paralelos da Feira do Empreendedor, realizada na capital São Luís até o domingo (8).
Fonte: Assessoria de Imprensa do Sebrae-MG - em 11/11/2009
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