Preocupar-se com o meio ambiente tornou-se uma questão de garantia de competitividade empresarial
Da Redação
Investir em ações empresariais ambientalmente corretas é o negócio do futuro. É o que afirma o professor do mestrado e doutorado em Administração da Universidade de Fortaleza (Unifor), Sérgio Forte.
Segundo ele, preocupar-se com o meio ambiente, cada vez mais, tem virado uma questão de garantia de competitividade.
"A Europa tem dez vezes mais empresas certificadas que o Brasil, e isso dá uma vantagem competitiva", aponta, lembrando a certificação internacional como um fator que gera um diferencial no marketing da empresa.
O professor discutiu as estratégias para a sustentabilidade durante o XI Encontro Nacional e I Encontro Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente (Engema 2009), que teve início na terça-feira (3) e se estende até amanhã na Unifor.
Segundo ele, as certificações ambientais internacionais, concedidas após uma série de exigências feitas por organismos externos, garantem aos empreendimentos um reconhecimento, mesmo fora do País, de suas práticas.
Como a questão da sustentabilidade ambiental está cada vez mais em voga no mundo, as empresas que investem nisso têm mais oportunidades de garantir seus mercados e ganhar novos, em especial as que exportam seus produtos.
Contudo, admite, o Brasil ainda está começando a caminhar nessa trilha da certificação ambiental, que, informa, ainda é um conceito considerado novo.
"São exigências muito grandes, uma bateria de exames feitos nas empresas. As de grande porte têm conseguido obter essas certificações, e estão transitando melhor no mercado internacional, mas ainda é um desafio para empreendimentos de menor porte. Ser ecologicamente correto ainda é caro", conta.
Forte acredita, entretanto, que essas ações ainda exigem altos custos por serem novas e, à medida que as práticas de sustentabilidade ambiental forem sendo tomadas, esses custos tendem a reduzir.
"Isto ainda está distante das indústrias em geral no Ceará, mas é uma preocupação que vem despontando", diz.
Mas não é necessário se obter certificação para se aplicar práticas ecologicamente corretas, destaca o coordenador do curso de Engenharia Ambiental da Unifor, Oyrton de Castro.
"A certificação não é exigida, mas é um selo que a empresa recebe por comprovar que tem um processo que não agride tanto o meio ambiente. O selo é uma ferramenta de marketing ambiental, mas a empresa pode ter um plano de ação sem essa certificação e funciona da mesma forma", comenta.
"A cada dia que passa, a responsabilidade ambiental e social das empresas tem aumentado. Todo empreendedor hoje tem ciência de que um dia terá que ter uma atividade presente no desenvolvimento de projetos ambientais em suas empresas".
Segundo ele, no futuro, as empresas serão obrigadas a tomar essas iniciativas, e a chegada dessa realidade, diz, só depende do avanço das políticas públicas na área.
"E essa exigência é ampla. O mundo, como peça única, organiza-se para políticas mais enérgicas para a sustentabilidade do planeta, e isso só é possível com a participação das empresas".
Ele destaca, ainda, que a legislação ambiental é bem mais rígida, exigindo atitudes "verdes" de empresários.
Esta é a primeira vez que o Engema é realizado em uma cidade do Norte/Nordeste.
De acordo com o coordenador do evento, o professor Cléber Dutra, o objetivo do encontro é apresentar novas ideias para o desenvolvimento sustentável do Brasil e do mundo. Por isso, estão sendo apresentados vários cases de sucesso.
"São exemplos concretos não só de empresas, como universidades e ONG´s do Brasil e de países como Suécia, Holanda, Canadá e Reino Unido que, muitas delas, podem ser usadas aqui".
Fonte: Diário do Nordeste - em 05/11/2009
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